domingo, 22 de abril de 2018

DRAMATURGIA: O BICHO DO PÉ PESADO

DRAMATURGIA: O BICHO DO PÉ PESADO  
O protetor florestal de Presidente Figueiredo

Autor Luís Sevalho



Direção e organização: Diretor (a) um assistente de direção, apresentador (a), três assistentes de palco e um sonoplasta.

Elencos: Pé Pesado, os fazendeiros Zé Ramos e Regine, Jurupari, engenheiro, sismógrafo, topógrafo e Três caçadores armados.

Equipamentos e suportes técnicos: Caixa de som, microfones, tochas de fogo, luz elétrica, três ventiladores para produzir vento nas tochas, facão de madeira, espingarda de isopor para os caçadores, uma mala, uma mochila, uma cadeira, calça comprida, bota-sapato, chapéu boiadeiro, um envelope amarelo escrito: Segredo, uma placa escrita Vila Serragro e a outra Serraria Serragro.

Atenção Diretor (a): O personagem Pé Pesado caracteriza-se na figura do homem lagarto, macacão verde, rosto pintado de verde ou máscara, olhos fogueados, pés e mãos com unhas enormes e serras nas costas. Vale a criatividade.  

Preparação do Cenário: Armação de uma casa velha com uma placa escrita: SERRARIA SERRAGRO e na diagonal fica o PALCO com outra placa escrita: (VILA SERRAGRO) referente ao Ramal da Serragro em 1980. Na frente da vila ficam três tochas acesas (iluminação à noite). Elas sofrerão os efeitos sonoplásticos de acordo com a cena 2.    

Atenção diretor (a): Preparar o palco para encenações onde no primeiro momento o episódio acontece à noite (cena 1 e 2) e as demais cenas são de dia. Em todas as apresentações aconselha-se um fundo musical. A frase: fecham-se as cortinas é opcional.

Histórico: Segundo o escritor e poeta amazonense Luís sevalho, a história acontece em 1980 na zona rural de Presidente Figueiredo Amazonas quando a Serragro Indústria e Reflorestamento finalizou suas atividades no km 200 da BR-174 ficando a vila dos funcionários abandonada e ocupada posteriormente pelo casal recém-chegado de Manaus, José Ramos Ferreira e a saudosa esposa Regina Lúcia Pinheiro Ferreira que em memória receberá no personagem o nome de Regine. Eles começaram a vida cortando juquira nas fazendas de gado. Anos depois o casal torna-se fazendeiros bem sucedidos e no ramal da Serragro surgiu a comunidade de Santo Antônio do Abonarí. Naquela época foram bastante atormentados por um ser bizarro que a noite aparecia pisando forte, estremecendo tudo. Por ser enigmático, recebeu o nome de Bicho do Pé Pesado que para os antigos é o protetor florestal de Presidente Figueiredo.        



Primeiro Ato: Preparação de Abertura

O apresentador (a) faz a abertura saudando a todos. Chama o escritor e poeta Luís Sevalho para o palco caso esteja presente. Em seguida ler o histórico do Bicho do Pé Pesado e anuncia:

Apresentador (a): Senhoras e senhores, com vocês o protetor florestal de Presidente Figueiredo o Bicho do Pé Pesado!
                                                  
                                          
                                              CENA 1          À NOITE

[Dois elencos se apresentam (família Ramos) caracterizados com vestimenta de trabalho rural. O marido (Zé Ramos) anda impaciente perto da esposa (Regine) que está sentada na frente da vila tecendo crochê quando Zé Ramos expõe seus planos para o futuro]

Atenção Diretor (a): A caracterização de Zé Ramos deve ser no estilo fazendeiro, com facão na cintura, calça comprida, botas e chapéu boiadeiro. A Regine apresenta-se vestida de trabalhadora rural. Vale a criatividade.

Zé Ramos: - Cortar juquira não é bom; e o pior, não existe outro trabalho mais fácil. - A gente acorda cedo, anda quilômetros para chegar às fazendas. - Amanhã a batalha é na fazenda do seu Lindolfo, noutro dia é lá no Zé das Porcas e depois de amanhã, no Ivani e assim por diante. - Ai que vida. - Se não melhorar temos que pegar o ”Beco” para Manaus.  

Regine: - Paciência Zé. - De lá viemos. -Temos que ficar por aqui mesmo. - O pouco com Deus é muito. - Vamos trabalhar para ter o que é nosso, pois a economia é a base da prosperidade.

Zé Ramos: - É mesmo, mulher! – Vamos trabalhar para ter a nossa fazenda de gado também, né!? (gestos de abraços)
                                                    
Atenção sonoplasta: Quando o Zé Ramos nem bem termina de falar, os efeitos sonoplásticos já se antecipam.   
                                             CENA   2          Á NOITE

[Durante a conversa o casal é surpreendido com barulhos externos. As tochas quase se apagam devido forte vento que surge, objetos vão ao chão (efeito de sonoplastia) e tudo começa a estremecer. A família fica atordoada, Zé Ramos prepara-se para enfrentar Pé Pesado, dá cambalhotas com o facão empunho, porém desiste e faz pergunta à esposa]   

Zé Ramos: - O que está acontecendo, Regine?! Será um terremoto?.  

[Neste momento o misterioso Pé Pesado passa pela frente da vila com pisadas fortes e lentas, desaparecendo nos escombros da antiga serraria deixando todos estarrecidos]

Zé Ramos: - Vamos entrar e orar a Deus para nos proteger. (faz gestos como estivesse se benzendo)

                                       
                                        Fecham-se as cortinas
                                                      CENA  3     

[Noutro dia o casal de malas prontas decide se mudar para a fazenda de trabalho e retornar à vila só nos finais de semana. Na frente da vila Zé Ramos conversa com a esposa]   

Zé Ramos: - Regine, o Robertinho já tinha falado que na área da antiga serraria apareciam muitas mesuras.

Regine: - Éh, o Esmeraldo e o Azarias confirmam isso. – Aparecia, nas imediações onde é hoje a casa do João Ramos e da Cordélia. – De aparência humana chamavam o bicho de Pé Pesado. - Por onde passava estremecia tudo. - Seu grito coalhava o sangue das pessoas. Ai me dá um arrepio!  (Fazer o gesto de arrepio).    
   
                                                     CENA  4

[Zé Ramos com a mochila nas costas entrelaça os braços junto à esposa e quando fazem menção de retirada são surpreendidos por uma voz do além (Jurupari) que se identifica e os interroga]

Atenção sonoplasta: criar suspense sonoplástico, como se estivesse caindo uma tempestade com som de trovões e relâmpagos, etc. antes do Jurupari falar em tom lento e grosso. 

Voz de Jurupari com efeito especial: - Ramos! É Jurupari o atribulador dos sonos dos malfeitores da floresta. – Tô contigo.  - Não tenha medo de Pé Pesado. - Ele é do bem; - só está aqui de passagem. - Morava na Caverna de Balbina quando era terra firme e junto aos índios lutavam para proteger seus territórios, manter as corredeiras, as cachoeiras, os rios de forma bem natural e saudável. No entanto, Pé Pesado e os índios foram expulsos dos seus territórios que se transformou numa Hidrelétrica. - Permaneçam na vila porque ela vai crescer com pessoas de bem, muita produção agrícola, escola e usina de buriti. O progresso está só começando.     

Zé Ramos: Éh, - vamos entrar Regine e ver o que vai acontecer.

                                 Fecham-se as cortinas - opcional

Segundo Ato:                      

                                                      CENA 5

[O engenheiro, o sismógrafo e o topógrafo da Andrade Gutierrez aparecem no ramal da serragro para dar continuidade a sua extensão e ao mesmo tempo construir os diques de sustentação de Balbina, porém são atormentados pelo mitológico e adoecem]

Atenção diretor (a): Os técnicos aparecem de roupa azul identificados com os nomes na roupa como, por exemplo: engenheiro, sismógrafo e topógrafo.   
Engenheiro chefe: – ”Vamos, comecem o trabalho”. “Construir mais vinte quilômetros de ramal e os diques”.

                                                      CENA 6

[Enquanto os funcionários fingem que estão demarcando a área Pé Pesado aparece sutilmente cuspindo neles deixando-os doentes e, consequentemente fazendo desistirem de suas tarefas]

Atenção diretor (a): Fazer a imitação do cuspe com algodão umedecido arremessado manualmente nas costas dos funcionários distraídos que reagem da seguinte maneira:

Engenheiro: - Ai que dor de cabeça. (fazer gestos) - Vou desistir desse projeto.

Sismógrafo: - Meu corpo dá sinal de abalo. Tô doente e quero provocar (fazer o gesto de que está com náuseas). - Vou desistir da firma.

Topógrafo: - Nada dá certo na construção desses diques. - Acho que a malária me pegou. - Vou embora e não volto mais aqui.

                                         Fecham-se as cortinas
                                                      
                                                        CENA 7

[Os técnicos da Andrade Gutierrez desconfiam que no ramal da Serragro tem ouro devido a presença de visagens. Porém, os minérios são protegidos por Pé Pesado e buscam apoio de caçadores para expulsá-lo. O engenheiro diz]


Engenheiro: - Gente! - Aqui na Lagoa da Léa e na Gamboa existe muito minério igual do Pitinga vigiado pelo pé pesado. É por isso que aqui é cheio de marmota. - A solução é pedir para os caçadores expulsá-lo. - Vamos falar com eles agora!? – Vamos.

                                    Fecham-se as cortinas
                                                            CENA 8

[Os caçadores aparecem fortemente aramados e começam a atirar para cima e para os lados retirando - se imediatamente]

Atenção sonoplasta: sonoplastia dos tiros com a presença de fumaças, etc.

Atenção assistente de palco: Colocar o envelope amarelo sutilmente no palco enquanto os caçadores estão atirando. Vale a criatividade.
                                        
                                             
                                        Fecham-se as cortinas

                                                     CENA 9
[Zé Ramos e esposa aparecem na frente da vila. Atônitos, avistam um envelope no chão e nele escrito: “Segredo”. Enquanto admiram-se do envelope em mãos, Jurupari volta a falar]    
Atenção sonoplasta: Manter o efeito especial antes de o Jurupari falar.

Jurupari: - Olá!  é Jurupari. – não se atormentem - Eu e Anhangá nos unimos para prover Pé Pesado de poderes. – De agora em diante se tornará o guardião desta vila, do Rio Uatumã e de Presidente Figueiredo. - Neste envelope estão guardados todos os segredos desta região. Se for quebrado a maldição volta a reinar contra a população. - Guarde-o a sete chaves. - Ah, psiu. - Não esqueça, o nosso protetor está vivo, pronto para agir.   
                                         
                                                         CENA 10

[Zé Ramos reconhece Pé Pesado como defensor da floresta e dos recursos naturais e faz perguntas compadecidas à Jurupari]

Zé Ramos: - E, onde ele está? – Se Balbina estourar quem vai salvar Presidente Figueiredo da inundação?

Jurupari responde: - Calma fazendeiro. – Pé Pesado age secretamente a nosso favor. Já viu como está o Park Urubuí e a BR-174, bem pavimentada e cheia de  ramais? São frutos dos seus poderes, assim como o surgimento do Galo da Serra, do Sete e do Quatro de Balbina que serão urbanizados e ocupados com centros de estudos avançados. Enquanto Nossa Senhora de Aparecida derrama bênçãos sobre a cidade ele luta em surdina para manter a fauna e a flora livre dos predadores. E, assim a população e seus visitantes podem turistar e banhar-se nas cachoeiras que tornam Figueiredo a maior cidade turística do Amazonas. Agora estou indo, tchau...      

Terceiro Ato Final:                     

                                                    CENA 11

[Zé Ramos concorda com as profecias e conclama a todos os presentes para agradecer o Bicho do Pé Pesado, o povo e a cidade de Presidente Figueiredo]

Atenção direção: Quando Zé Ramos chamar as pessoas para o agradecimento, todo o elenco se apresenta no palco, inclusive o narrador-Jurupari que estava intocado e o Pé Pesado no personagem. A palavra Jurupari deve aparecer como destaque na frente da camisa do elenco.  
                                
Zé Ramos: - Espera! (gestos de indeciso) - Viva, Viva, (pulos de alegria) – Pessoal! – venham todos aqui, vamos juntos dizer em alta voz: VIVA PÉ PESADO E O POVO DE PRESIDENTE FIGUEIREDO. Vamos lá, 1, 2, 3 e já: VIVA PÉ PESADO E O ...
                                     Salva de palmas por todos

                                                       FIM
                                     
                                   Nota de agradecimento e pesar
        O conto dramático do Pé Pesado relata também a história do casal José Ramos Ferreira e da esposa Regina Lúcia Pinheiro Ferreira que chegaram no ramal da Serragro por volta de 1980 construindo lá até os dias atuais uma boa base familiar. Em 2004 Regina Lúcia (no personagem Regine) foi chamada aos braços do Pai Celestial deixando para todos nós sua contribuição histórica pela qual será representada por seu esposo José Ramos que nos autorizou por escrito a ampla divulgação desta belíssima dramaturgia.
                                                   O autor

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sábado, 18 de novembro de 2017

Agora você pode dramatizar A Construção da estrada, BR-174 e o Genocídio dos Índios, na sua escola ou município.

A CONSTRUÇÃO DA ESTRADA, BR-174 E O GENOCÍDIO DOS ÍNDIOS.

“Enquanto os leões não tiverem seus próprios historiadores, as histórias de caça sempre glorificarão o caçador”. (Provérbio Igbo, da Nigéria)



A dramaturgia tem como fonte o Relatório do Comitê da Verdade, Memória e Justiça do Amazonas 2014 e o Movimento de Apoio à Resistência Waimiri/Atroari (MAREWA), Itacoatiara, 1983.

DIREÇÃO GERAL: Diretor (a), assistente de direção, narrador (a), apresentador (a) e assistente de palco.

PERSONAGENS DO PRIMEIRO ATO:

  Índio Maiká. (03 índios guerreiros com flecha que protegem Maiká), 10 índios figurantes acompanhados a seus líderes tribais, Engenheiro chefe, Timenes, sismógrafo, topógrafo, um detonador de explosivos, um segurança armado medroso, sonoplasta, alguns homens armados para atirar e incendiar as aldeias indígenas.

EQUIPAMENTOS NECESSÁRIOS PARA TODA DRAMATURGIA:

Palco com cortina, utensílios eletrônicos como caixa de som, microfones, Datashow, réplica de bombas, fuzil, metralhadora, mesa de áudio, jogo de luz, efeitos de sonoplastia, música indígena, etc.
COMO DEVE SER O CENÁRIO:
Projeta-se um caminho, como se fosse a construção da estrada (BR-174) ficando as malocas situadas de uma margem e de outra em toda sua extensão. Lá, estão as comunidades indígenas praticando suas atividades culturais.
Atenção: Vale a criatividade do (a) Diretor (a) para enriquecer o cenário.
                                                           
HISTÓRICO DA CONSTRUÇÃO DA ESTRADA, BR-174 E O GENOCÍDIO DOS ÍNDIOS.

Antigamente por onde passa hoje a BR-174, não era caminho de civilizado. Somente o povo Kiña (Quinhá), Waimiri-Atroari viviam em tempo livre nas regiões que compreendem a margem esquerda do Rio Negro, os Rios Urubu, Camanaú, Rio Uatumã, Jauaperí, o Alalaú e seus afluentes. Uma das UMÁ (estrada ou varadouro) ligava as aldeias do Baixo ao Alto Rio Camanaú e seguia no rumo Norte atravessando o Rio Alalaú por duas vezes passando por várias aldeias até adentrar o território dos índios Wai-Wai. As corredeiras, as cachoeiras as riquezas da fauna e da flora faziam parte do território imemorial dessas civilizações que para eles era uma fonte de vida. No Rio Uatumã viviam em festas tribais, assavam peixes, comiam ovos de tartaruga, tracajá, entrelaçando amizade com outros povos karib sem temer civilizados.
A partir da segunda metade da década de 1970, Zona Franca e Eletronorte atraídas pelas riquezas minerais e pelo potencial energético dos rios iniciaram a construção da hidrelétrica de Balbina e depois a hidrelétrica particular de Pitinga. As mineradoras instaladas em Pitinga tinham como objetivo saquear os minérios no território dos índios sem consultá-los. O resultado do projeto desenvolvimentista causou a maior catástrofe socioambiental e o genocídio dos índios Quinhá e a extinção do povo Piriutiti. Vamos assistir como viviam os Waimiri-Atroari antes da construção da estrada Manaus-Caracaraí atual BR-174 e por consequência o quase total extermínio desse povo. O episódio começa a partir do Rio Urubu, na região de Presidente Figueiredo.

PRIMEIRO ATO: Abertura da peça pelo apresentador (a).

NARRADOR (A): Ler o histórico já com o cenário aberto.

Atenção: Quando começar a leitura os índios do Rio Urubu já estão praticando suas atividades culturais, etc.                        
CENA 1

[ festas tribais dos índios com seus costumes e tradições no Rio Urubu antes da construção da estrada federal, BR-174. Índio Maiká: Canta, as tribos dançam, alguns se alimentam outros brincam com os curumins e cunhantãs, o curandeiro pratica a pajelança (vale a criatividade) e depois todos se retiram para suas malocas ] 

                                                      
                                                  CENA 2

[ As empreiteiras, Mendes Júnior e Andrade Gutierrez autorizam seus engenheiros a construir Balbina. O engenheiro chefe, Timenes, caracterizado com a identificação nas costas: (Engenheiro Timenes)
 aparece com um papel nas mãos tipo croqui e ordena a equipe a começar os trabalhos para a construção da hidrelétrica de Balbina ]

Engenheiro Timenes: - Pessoal, vamos construir a hidrelétrica entre essas duas serras, bem aqui na garganta do diabo no Uatumã. Será chamada de hidrelétrica de Balbina.
Timenes: dizem que os índios vão impedir. Mas ela será feita sim, podem começar.                                          
                                                    CENA 3

[ De costas para os índios que estão escondidos, os sismógrafos e topógrafos fingem iniciar seus trabalhos. Os índios em surdina fazem barreiras com palhas, cipós, galhos de árvores, etc para impedir a passagem e, quando civilizado tenta retirar os empecilhos, várias flechas são atiradas como advertência e o índio Maiká aparece acompanhado de vários guerreiros para fazer sua reivindicação ]

Atenção diretor (a): Quando Maiká aparecer, o segurança joga a arma com medo e tenta se esconder por trás dos funcionários.
Índio Maika: Civilizado não pode fazer isso com nosso povo. Se construírem hidrelétrica onde vamos morar e se alimentar? Vão embora!                                                  

                                                            CENA 4

[ A equipe concorda em se afastar, porém dizem que vão buscar reforço para a continuidade da obra ]
Alguém da equipe fala: - Tá bom. – somos apenas trabalhadores. Vamos nos retirar e buscar reforço para continuar o trabalho.

                                                          CENA 5

[ Neste momento outros indígenas aparecem na estrada com seus chefes tribais juntando-se à Maiká para discutirem estratégias que possam expulsar invasores quando repentinamente são atacados por homens armados. Os indígenas fingem receber os tiros de fuzil, das metralhadoras, etc. (ver sonoplastia) outros se defendem das bombas e Maiká orienta todos a se protegerem ]  

Índio Maiká diz: - “Protejam-se!”. – “Vamos procurar refúgio - por aqui!”.                                       
FECHAM-SE AS CORTINAS
                   (O narrador (a) entra em ação com as cortinas fechadas)

NARRADOR (A): - Diante ao massacre as lideranças indígenas se reúnem para tentar amansar civilizado. Líderes como capitão Maroaga, capitão Pedro, Tuchaua Comprido, Takwa, Canori, Coroinha, Abonari, Tomaz e Manoel são chamados e concluem que: “– civilizado está bravo e louco”, “– estão colocando as árvores de raiz para o céu” e decidem fugir com seu povo em direção a Boa Vista sem saber que nessa direção a estrada federal já tinha sido colocada à rodagem e neste percurso foram novamente massacrados. A partir daí a floresta era rasgada por tratores e os rios ocupados por gente inimiga.
O DER-AM, (Amazonas), o Departamento Nacional de Estrada e Rodagem (DNER), Forças Armadas e a recém-fundada FUNAI da época forçaram a passagem da BR-174 nas terras indígenas.

SEGUNDO ATO: A construção da hidrelétrica de Balbina e o surgimento dos primeiros comerciantes onde é hoje Presidente Figueiredo.

PREPARAÇÃO: Preparar o cenário como se fosse a BR-174 aparecendo os seguintes restaurantes. Colocar o nome desses restaurantes: (Restaurante Manuel Galinha) onde é hoje a rodoviária, (Restaurante do Josias) situado ao lado direito da BR-174 sentido Manaus/Boa Vista onde reside até hoje e o posto de gasolina (Honório Roldão), ao lado do restaurante do Manuel Galinha. Enquanto o narrador (a) ler sobre Balbina, algumas pessoas dão vida à futura cidade de Figueiredo. Por exemplo: os funcionários do posto e dos restaurantes estão trabalhando, outros figurantes fazem o papel de pessoas que estão indo ao trabalho, etc. Vale a criatividade.

PERSONAGENS PARA O SEGUNDO ATO: Frentista do posto de gasolina, cozinheiras e serventes dos restaurantes, figurantes disfarçados indo ao trabalho, outros sentados na mesa dos restaurantes, dois transeuntes caracterizados de caipira ambulantes.  

NARRADOR (A): - Enquanto construía a hidrelétrica de Balbina, Presidente Figueiredo ainda não existia apenas algumas atividades comerciais surgiram onde é hoje a cidade e os primeiros comerciantes foram: o posto de gasolina do senhor Honório Roldão e os restaurantes dos senhores Manuel Sobral Galinha e o restaurante do Josias. Presidente Figueiredo torna-se município através da Emenda Constitucional nº 12 de 10/12/ de 1981.                                                 
                                                         CENA 6

[ Transeunte caracterizado de caipira comenta com o compadre se era verdade que naquela área surgiria Presidente Figueiredo ]

Atenção: usar microfones.

Transeunte: - “Compadre, tão dizendo que aqui vai ser construída uma cidade! – Você acredita?”
Compadre: - Com ar de graça. – “Rhum!” –”estão é louco” – “Construir uma cidade no meio da floresta cheia de serras e cachoeiras” – “Acredito não, compadre”.  

Atenção: O papo informal continua com os transeuntes enquanto o narrador (a) ler o histórico abaixo:

NARRADOR (A): Enquanto se formava o pequeno povoado na região de Presidente Figueiredo a construção de Balbina seguia a todo vapor ao mesmo tempo em que acontecia a guerra silenciosa contra os Waimiri/Atroari que se refugiavam em Pitinga e eram trucidados pelas forças do governo federal e pelos jagunços Sacopã das mineradoras lá instaladas. Nessa região (Pitinga), nove aldeias aerofotografadas pelo padre João Calleri em outubro de 1968, desapareceram com a instalação do grupo Paranapanema e mineração Taboca. O governador de Roraima Fernando Ramos Ferreira e o governador do Amazonas, Danilo de Matos Areosa eram os principais incentivadores da campanha contra os índios. Nada era divulgado. O dia era sempre do caçador e nunca da caça. Quem ficasse a favor dos índios era considerado um débil mental.  

                                         FECHAM-SE AS CORTINAS

 TERCEIRO ATO: índios Quinhá assistem aulas no método Paulo Freire.

PESONAGENS DO TERCEIRO ATO: professores Egydio e Dorotí, índios alunos: Panaxi Olindo, Womé Viana, Pikida e uma índia com criança.

                                                     CENA 7

[ Os professores Egydio e Dorotí Alice lecionam na aldeia Yawará, aplicando o método Paulo Freire na língua materna dos kiña (Quinhá) e resgatam depoimento do genocídio dos índios ]

Atenção: Uma sala é improvisada sem cadeiras onde os professores lecionam para indígenas de todas as idades na aldeia Yawará

                                                        CENA 8

[ Professores Egydio e Dorotí dão boas-vindas aos alunos e aguardam a exposição espontânea dos desenhos indígenas ]
Professor Egydio: - Combinamos que trouxessem de casa alguns desenhos. Vamos apresentá-los!?.
Os índios dizem: Vaaaamos!

Atenção: os indígenas tentam apresentar seus desenhos de uma só vez e professor Egydio diz:
Professor Egydio: - Espera aí. Panaxi Olindo mostre seu desenho.

Atenção: o índio deve apresentar o desenho de um homem segurando um fuzil e bomba.
Panaxi fala: - Foi assim que kamña (Cáminhá) matou minha família. (esboça choro) e se retira.

Atenção: A partir da fala de Panaxi, seguem-se as apresentações espontâneas dos desenhos indígenas na seguinte ordem:
Womé Viana apresenta uma casa furada a bala com a parede caída e diz:
Womé Viana: Depois que Taboca chegou, fomos visitar a maloca Tikíriya que ficava no Pitinga e não encontramos mais os índios. Invasor chegou atirando. Foi muito triste! (demonstrar tristeza e choro)

                                                      CENA 9

[ Índia com criança faz pergunta aos professores ]
Índia com criança: O que Kamña (Cáminhá), joga de avião e queima o corpo da gente por dentro? Porque foi assim que fizeram com uma aldeia amiga da nossa família.

CENA 10

[ Índio Pikida: se apresenta e afirma que todos que ali estão tiveram suas malocas queimadas atacadas por metralhadora, bombas, etc. ]

Pikida: - Professores! Todos os nossos pais foram mortos. Nossos familiares tiveram as malocas queimadas e atacadas por bombas e tiros de metralhadoras. –“Por que kamnã (Cámihá) matou kinã?”(Quinhá) –“Apiemieke?”

Atenção: Nesse momento todos os alunos choram veementemente repetindo a palavra, Apiemieke (por quê?).                         

(Após um minuto de choro em meio às apresentações dos desenhos e seus significados, o narrador (a) anuncia que as autoridades começaram a desconfiar que os professores estivessem colhendo provas do genocídio dos índios e mandam afastá-los).

NARRADOR (A): - No final de 1986, o presidente da FUNAI da época, Romero Jucá, mandou demitir os professores Egydio Schwade e Dorotí Alice Muller por suspeitar que os educadores estivessem reunindo provas a favor dos índios. Convidado, o professor Egydio participou do lV Tribunal Russell em Rotterdam (Holanda) onde denunciou as agressões sofridas pelos Waimiri/Atroari no Amazonas. Segundo o relatório do Comitê da Verdade, Memória e Justiça do Amazonas mais de 2.000 Waimiri/Atroari desapareceram em apenas 10 anos durante a construção da BR-174. Os Quinhá exigem uma explicação ainda não respondida pelo Estado brasileiro o motivo de tanta crueldade.

                                    FECHAM-SE AS CORTINAS

CENA   11                                       FINAL

(Presidente Figueiredo no momento atual e o poema: Cidade Morena da BR-174)

   [ O narrador (a) apresenta no Datashow algumas das atrações turísticas de Presidente Figueiredo e declama o poema do poeta escritor Luís Sevalho). Por último apresenta a cidade em festa destacando a atração nacional da última festa do cupuaçu e feira de agronegócios, etc. (Neste momento todos os atores e atrizes da peça se apresentam no palco acenando ao público a despedida final ]  

NARRADOR (A): Algumas das atrações turísticas que você encontra em Presidente Figueiredo...

Atenção: Apresentar e explicar o que está sendo visualizado no Datashow. Quase finalizando a apresentação, falar que para o poeta escritor Luís Sevalho Figueiredo é para ele uma CIDADE MORENA DA BR-174 nos versos do poema:

Presidente Figueiredo
Tu brilhas no meu olhar
Teus atrativos turísticos
São ricos em comentar
Terra das cachoeiras
Lugar mais lindo não há.

Na Bela Iracema Falls
Não posso deixar de ir
Lagoa Azul e Orquídeas
Vou deixar a vida fluir
Escalar o Salto do Ypi
E refrescar no Urubuí.

Durante tua formação
Muita coisa aconteceu
Nos conflitos silenciosos
O índio por ti morreu
Esta luta de resistência
A tua história escondeu.

Pujante Morena da BR-174
Cidade que sempre quis
Pinta os nossos corações
Com teu bioma verde lis
Mostra ao mundo a bravura
Deste honrado povo feliz.


                                                        FIM        

Endereço do escritor e poeta Luís Sevalho:
Rua Malvarisco, 136 - Jorge Teixeira 4
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Contatos:
92) 9 9462-6132  (Luís Sevalho)
(92) 9 9406-7584 (Cláudia - esposa)
        
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Km 200 da BR-174
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