sexta-feira, 22 de julho de 2016

Urubuí que te Quero

URUBUÍ QUE TE QUERO

Luis Sevalho



Águas que brotam dos sonhos
Do índio Cupucauara e Açunuí
Pitoresca da cidade Figueiredo
Remanescente do meu porvir
Esbelta, é assim que te quero
Corredeira do Urubuí.


O índio Cupucauara casou com Açunuí (médica branca) dando origem a lenda do cupuaçu.

Estatuto da Mulher

    

Estatuto da Mulher
                                            Autor Luís Sevalho

    
 Ato Permanente Das Leis Naturais


Artigo 1º Fica instituído o domínio supranacional das mulheres com duração indeterminada que começa hoje e termina quando todas as mulheres atingirem sua plenitude.   
 Parágrafo 1º A mulher jamais será substituída por robôs para satisfazer seu prazer sexual. O matrimônio será mantido e o homem aperfeiçoado será um gênio do bem e a mulher sua virtude eterna.
Parágrafo 2º Será instituído a Corte do Amor com sentença justa. A obrigação geral entre o homem e a mulher será a palavra Amar.
Artigo 3º A primazia do amor começa no subliminar da mulher criança, da mulher jovem, da mulher adulta e da mulher anciã.
Artigo 4º  Pela Suprema Corte, extingue-se para sempre a cultura do estupro, a violência, o ódio, os assédios e a maldade que serão convertidos em convivência harmônica, pois não haverá espaço para a vida sem amor.
Artigo 5º Por decreto as palavras misóginas, recatada, frígida e perfídia serão extintas do dicionário e da cabeça dos homens.
Artigo 6º Os doze meses do ano serão convertidos em um só que será chamado Outubro Rosa Festivo.
 Artigo Final  A nova mulher regida pelas leis naturais será dona do seu próprio destino com liberdade de escolhas, voz altiva e amor próprio.                              

Manaus, Outubro Rosa Festivo de 2016                                                              


Tefé da Caboré

TEFÉ DA CABORÉ
  Luís Sevalho









Em Rio Profundo te exaltei
Sem temer o insensato
Lugar de um povo guerreiro
Esta terra eu abraço
No ranque doutras cidades

Minha Tefé fala mais alto.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

FRANZINO E A ONÇA D’ÁGUA

FRANZINO E A ONÇA D’ÁGUA

Autor Luís Sevalho

  Desenho: Raimy Ribeiro


Franzino era um pescador destemido, estava sempre pronto para enfrentar os perigos do lago, a procura de peixes fresquinhos para vender a população. Todas as vezes que armava uma pescaria, já comercializava antecipado, as várias espécies de peixes que ia trazer porque tinha certeza que no lago do Fundão, jamais deixaria passar vergonha. Desta vez, sempre solitário, o valente Franzino saiu cedo para fazer a pescaria numa área íngreme de matupazal no dito lago. Já era tarde da noite e a madrugada chegava quando a barriga de Franzino reclamou pela falta de alimentos, haja vista ter saído de casa no rabetinha antes do dia amanhecer e como é de costume, o pescador quando sai para o marisco só leva consigo uma garrafinha de café; quando leva.
Como os sucessivos goles do mate eram insuficientes para enganar a fome, resolveu então fazer um assado na restinga, sabendo que a sobra do peixe serviria para alimentar outros animais que por ali já estavam na espreita querendo também fazer o bom proveito. Do porão da velha igara retirou só aqueles peixes graúdos para colocar no moquém, cuidando logo de cortar a lenha para fazer o fogaréu.
Na hora do baco-baco, Franzino percebeu que a restinga tremia.  Resolveu focar na água, detectando inúmeras borbulhas que emergiam, tomando conta de todo anhingal. Os lagos mais próximos como o Redondinho, o Cortiça e o lago do Cipó estavam todos com as águas fervilhando; cardume inteiro de peixes pulavam fora d’água de forma desordenada querendo avisar que algo estranho estava por acontecer. Neste momento a fome passou e o coração do bravo pescador disparou. Olhando abismado com os olhos quase querendo sair do globo ocular, percebeu que a água do matupazal subia e descia freneticamente, deixando o pescador atônito, sem saber o que fazer.




Macabro e sem opção, a solução tomada em segundos foi subir numa árvore de tachizeiro sem se importar com as mordidas dos guardiões dessa árvore. De lá, olhando para todos os lados, começou a observar o que iria ocorrer naquele momento de pânico.
Quando aparentemente tudo parecia normal, Franzino, num esforço redobrado conseguiu ver um casal de onças d’água que tinham o formato de ariranhas em tamanho dobrado saindo repentinamente de trás de uma Sapopemba e partiram furiosamente em direção à canoa que não foi devorava porque um jacaré de sete metros impediu o ataque, colocando-se na frente das onças e foi devorado violentamente pelas felinas aquáticas. Tudo era assistido pelo pescador do galho da árvore que enervado em calafrios, mal podia se mexer.
Antes de o dia amanhecer e já saciadas pelo jantar do jacaré, as onças- d água começaram a brincar, atirando água para cima com suas longas caldas atingindo quase três metros de altura. Dizem que a altura que a água atinge é a mesma distância que ela salta no ar.
O odor exalado das axilas do pescador fez a onça-fêmea perceber que tinha sangue humano no pedaço. Ela franziu a testa destoou vários esturros que foram ouvidos nos lagos mais distantes como o lago do Mamede, lago do Júlio e lá no Poço do Matos. Os urros eram tão fortes que o eco parecia sair do fundo dos lagos. Mas não conseguiu enxergar o seu rival. Porém ficou de orelha retesa tentando localizar o pescador que nessas horas já invocava mais de cento e cinquenta santos para se livrar do perigo.
Quando o dia amanheceu, as onças colocaram-se em fila dando a entender que já iam se retirar, quando uma pigarra obrigou Franzino a concertar a garganta, fazendo elas enfurecerem-se e começar a perseguição contra o pescador. Elas só não subiram na árvore porque suas mãos em forma de nadadeira não lhes permitiam esse avanço, restando apenas ficarem prostradas em vigília no tronco do arbusto por tempo indeterminado.

Já pela tarde a onça-macho resolveu retirar-se, deixando de plantão a fêmea que se revezava no tronco do tachizeiro esperando o pescador cansar, sentir fome e sede até desmaiar e cair para ser devorado por elas. Franzino percebeu que teria vários dias de sofrimentos. Então, teve uma ideia genial falando uma linguagem cabalística. – kssalabá - o que fez a onça colocar os ouvidos para cima tentando entender. Disse ele à rainha dos anhingais que se ela o deixasse em paz comprometia-se a não invadir os lagos de preservação e nunca mais praticaria a pesca predatória. A onça entendeu o recado e deu no pé toda faceira balançando a cabeça num sinal de positivo.