DRAMATURGIA DO CURURU TEITEI
Teitei representado pela figurante Karla Sevalho
Extraído do Livro Rio
Profundo
Autor Luís Sevalho
Dramaturgia escrita pelo
autor.
DIREÇÃO GERAL: Diretor cineasta, assistente de direção,
apresentador (a), sonoplasta e um assistente de palco caracterizado de
vaga-lume, borboleta, etc.
TODOS OS PERSONAGENS: Vó Biná, menino Buiú e
umas (5) crianças, Teitei, mulher doente, estudante apaixonado, casal de
americanos, comunidade de ribeirinhos (de 5 a 8 figurantes) e um elenco que vai
ficar na plateia.
EQUIPAMENTOS E SUPORTES TÉCNICOS: Um livro de historinha,
cadeira, jangada móvel, réplica de câmara fotográfica ou celular de isopor,
fundo musical com som de trovão e relâmpagos, barulho de um motor rabetinha,
microfones, caixa de som, etc.
CENÁRIO: Pode ser na
sala de aula, no auditório, na praça. Vale a criatividade.
HISTÓRICO
DA PEÇA: Tudo
acontece quando uma ribeirinha do Rio Juruá, Vó Biná chega a Manaus a
tratamento de saúde ficando na casa de um parente que mora em um ramal próximo
a capital. À noite, as crianças se juntam para escutar as histórias vividas por
ela. Dentre os mais interessados tem um menino Buiú que faz perguntas das mais
diversas para matar a curiosidade. Uma das histórias que eles mais gostam é a
saga do Cururu Teitei porque aguça o imaginário do povo rural que habita nossa
região. Segundo o escritor Luís Sevalho, Cururu Teitei é um lendário gaturamo
que desceu da cabeceira do Rio Eyrú no Juruá e se alojou na localidade
Bacururu. Sua história remonta o tempo dos seringais onde os extrativistas
oprimidos de tudo e por falta de assistência médica buscavam suas curas nas
profecias do milenar sapo.
PRIMEIRO ATO: Abertura pelo
apresentador (a)
Atenção: Se o escritor estiver presente será chamado
pelo (a) apresentador (a) para ser apresentado ao público. Em seguida ler o histórico
da peça e anuncia o espetáculo a todos
Apresentador (a): - Senhoras e senhores apresento a vocês
a maior saga do século: Cururu Teitei.
CENA 1 [ Vó Biná
entra em cena toda caracterizada. Senta numa cadeira com um livro na mão como
se fosse o Rio Profundo e chama as crianças que estão brincando de roda para
escutar a história do Cururu Teitei ]
Vó Biná: - Hei crianças, sentem-se aqui. - Vou contar
uma história para vocês. - Lá no Rio
Juruá, região de Caitaú Bacururu, existe um sapo gigante com poderes ocultos.
Buiú: É verdade vó!?- alguém já viu este monstro!?
CENA 2 [ Quando Buiú nem bem termina a pergunta
o sapo entra em cena. Sentado numa jangada móvel, como se fosse um casulo, todo
iluminado, cercado com teia de aranha e pirilampos, parecendo um Guru. Puxado
pelo assistente de palco ou motorizado, começa curar as pessoas ]
CENA 3 [ Mulher
doente sentindo dores de rasgadura na pá e segurando o ombro fala em voz
cabocla, trêmula e fica curada ]
Mulher doente: – Oh meu Paim Teitei Já remei de canua há três
dias para chegar até aqui. - Quero que cure minha rasgadura. - Adquiri esta
marvada doença arrancando mandioca. - Éh, - o remédio da butique não deu jeito,
só você pode me consertar.
Cururu Teitei: – Beata olhe para o público e diga: Tô curada e
siga sem olhar para trás que ficará boa.
Mulher doente: - Tô
curada. (gesto de alegria)
CENA 4 [ Conversa
entre Vó Biná com as crianças ]
Vó Biná: – Éh..., bom, como dizia; - Eu nunca vi o sapo,
porém, caravanas inteiras já foram vê-lo. - Mas, só o enxergam de frente.
Buiú: – Não acredito! – Vó, é verdade que ele não
deixa a gente olhar pelas costas?
( Vó Biná faz
gestos com a cabeça querendo concordar e responde )
Vó Biná - Quem o viu pelas costas passou mal só viu
serpentes e depois caíram os dentes. - Agora, quem tem fé nele, fica curado.
CENA 5 [ Um
estudante apaixonado fica ajoelhado e suplica ao misterioso sapo que o atende e
o jovem sai sorrindo ]
Estudante: – Meu Teitei! - Estou na sofrência: - Minha namorada
não quer nada comigo. – É só no zap-zap. – por enquanto só levo chifre. - Ajude-me
ó Paim a resgatar minha donzela, te imploro, por favor!
Teitei: – Acalme-se, meu chifrudinho. – Arrume um fio
de cabelo da amada, embrulhe em um papel virgem junto ao nome dela e jogue o em
cima da casa dizendo:
Marlinda, minha
ambição,
Seu amor está preso
Dentro do meu
coração.
Teitei: - Respire fundo, cumprimente o público e saia
feliz.
SEGUNDO ATO:
CENA 6 [ Enquanto o sapo finge estar dormindo, Buiú
conversa com Vó Biná ]
Buiú: – Vó, - agora me deu foi medo! - Será que
alguém tem alguma filmagem desse pré-histórico?
Vó Biná: – Ah, - não sei filho. - Um helicóptero que tentou
filmar foi incendiado. - Os gringos americanos que fizeram selfies também
tiveram as câmeras queimadas. - Ninguém sabe explicar o motivo.
CENA 7 [ Entram em cena os turistas fingindo que
estão filmando, fotografando a paisagem até que um deles encontra o sapo
dormindo e, admirado aponta para o bicho e diz em sotaque inglês ]
Turista americano: – Olha ele lá! – Yes, o Tatei de
certeza. Lá está. - Tamós com sorté. - Achamos house dele. - Vamos filmá-lo e depois,
vender seus poderes.
CENA 8 [ Enquanto
estão filmando o sapo acorda e grita bem alto para assustar os gringos que fogem deixando todos os seus pertences fotográficos ]
Teitei: – Hah, ah,
ah,
CENA 9 [ Buiú
fala admirado com Vó Biná ]
Buiú: – É interessante! - E ainda tem gente que não
acredita! - Parece coisa de filme!
Vó Biná: - Bom. - Não tema. - O que se sabe é que numa noite
de temporal o sapo sumiu.
CENA 10 [ Neste momento os ribeirinhos se juntam em
torno do sapo desenvolvendo movimentos rítmicos como se fosse uma dança seguidos
de um fundo musical com batidas fortes que imitam relâmpagos e trovões e aos
poucos se retiram de cena levando também o Teitei ]
CENA 11 [ Vó
Biná e Buiú ficam abismados e continuam conversando ]
Buiú: - Vó! - A senhora tinha medo do sapo? Ele já saiu
alguma vez de lá?
Vó Biná: – Sim. - Tremia de medo; outros não. - Tinha gente
que fechava a janela da casa cedo da noite, mas nunca aconteceu nada. – Certo é que depois do temporal ele sumiu de
lá.
Buiú: – Meu deus! - Para onde ele foi? - Será que veio
pra cá!?
Atenção: citar o nome do município, comunidade, ramal
ou a escola onde a peça está sendo apresentada.
Vó Biná: – Não sei. – Dizem que se mudou do Rio Juruá para
o Rio Uatumã. -Vem descendo numa jangada. - Deve chegar aqui às 5h da
madrugada.
Buiú – Vó, com essa fama toda quando ele chegar aqui
vai bombar nas redes sociais. (risos)
CENA 12 [ Vó Biná olha para o lado, enxerga o sapo que
vem descendo o Rio Juruá e mostra para o
neto. ]
Vó Biná: - Olha lá! – é o Teitei descendo o Rio Juruá
Atenção assistente de palco: - Puxar a jangada com
o sapo que vem acompanhado de ribeirinhos fazendo de conta que ele vem descendo
o rio ao som de um motor rabeta. Dar uma volta no palco onde os devotos fazem gestos
de adoração. Em seguida retiram-se todos levando também o Teitei.
CENA 13 [ Vó Biná comenta a fama do sapo com o Buiú ]
Vó Biná: – Olha! - Onde ele passa junta uma multidão. Todos
querem tocar nele para obter a salvação.
Buiú: - Que história interessante! - Quando ele ancorar
em “Balbina” (ou em Manaus ou outro município onde a peça está sendo
apresentada) vou pedi para o IBAMA trazer ele aqui na escola, no ramal ou vila para
quem triscar nele ficar livre de todos os pecados.
Vó Biná: - Todos são
obrigados a ir encontrar o bicho lá no porto. - Quem não for terá a vida
assombrada e a casa incendiada.
TERCEIRO ATO: FINAL
CENA 14 [ Após a última fala, todos os
atores se reúnem para saudar ao público junto com o Sapo que deve ficar de pé sem
a máscara. Quando se preparam para finalizar alguém vem da plateia gesticulando,
sobe no palco e pede a palavra. Na verdade este elenco da plateia recebe um
microfone para encerrar o espetáculo agradecendo a todos ]
Elenco da plateia: - Gente! – Quero falar uma coisa. - Parem
de falar do Teitei.- Ele é um bicho
sagrado e nunca vai sair do Rio Juruá. - Em
nome do gestor (a) e toda sua equipe escolar, agradecemos as autoridades
presentes e a todos que prestigiaram o nosso evento. Obrigadooooo e até a
próxima, bye.
FIM
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neste endereço:
Escritor e poeta Luís
Sevalho
Rua Malvarisco, 136 – Jorge
Teixeira 4ª etapa.
Fones: (92) 99462-6132 (Luís Sevalho)
(92) 99406-7584 (Cláudia – esposa)
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